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Duas Amigas, Um Blog

Duas amigas de longa data e algumas das histórias que têm para contar. No fundo duas raparigas com uma grande capacidade para dizer parvoíces..

Duas Amigas, Um Blog

Duas amigas de longa data e algumas das histórias que têm para contar. No fundo duas raparigas com uma grande capacidade para dizer parvoíces..

Quando penso que já vi de tudo...

Deparo-me com notícias com esta;

 

Croata internado com munição anti-aérea no ânus

Um croata de 50 anos teve de receber assistência num hospital de Zagreb na semana passada, pois não conseguia retirar uma munição anti-aérea que havia inserido no ânus.

Segundo a edição de sexta-feira do diário 'Slobodna Dalmacija', citado pela AFP, o insólito caso deu origem a uma investigação policial para encontrar mais munições do mesmo tipo na residência do homem.

Segundo o diário croata, o homem estava a fazer um jogo sexual quando a munição com 11 centímetros de comprimento ficou presa no seu ânus. Depois de removida foi entregue à brigada de minas e armadilhas.

 

Só o correio da Manhã para me fazer rir...

 

nocas

 

 

 

 

Bem visto....

Deixo-vos com mais uma brilhante crónica de Ricardo Araújo Pereira;

 

Os Décimos Terceiros Meses que Paguem a Crise

 

"Há um limite para os sacrifícios que se podem exigir aos portugueses."

Pedro Passos Coelho, 23 de Março de 2011

 

"E eu vou descobrir qual é."

Pedro Passos Coelho, 17 de Outubro de 2011

 

Ufa! Que sorte. Portugal livrou-se de um primeiro-ministro que dava o dito  por não dito, faltava às promessas e impunha sucessivas medidas de austeridade,  cada uma mais dura que a anterior. É bom olhar para trás, recordar esses tempos  longínquos e suspirar de alívio. Para o substituir, os portugueses escolheram um  primeiro-ministro que dá o dito por não dito, falta às promessas e impõe  sucessivas medidas de austeridade, cada uma mais dura que a anterior. Trata-se  de um conceito de governação tão diferente que, por vezes, parece que estamos a  viver num país novo.

Quem vive em democracia tem de estar preparado para estas mudanças radicais.  Sócrates usava, normalmente, gravatas de tom azul, enquanto Passos Coelho  prefere os verdes e os ocres. No entanto, depois de um período de adaptação, os  portugueses habituaram-se rapidamente à principal mudança política das duas  legislaturas. Em abono da verdade, deve dizer-se que o povo português, embora  seja dado a escolhas muito diferentes, de eleição para eleição, tem uma notável  capacidade de se adaptar à nova conjuntura política.

Repare-se, a título de exemplo, no que acontece com o estilo de Vítor Gaspar,  e no modo como os portugueses o aceitaram sem pestanejar - até porque se torna  bem difícil pestanejar quando se ouve o ministro das Finanças. Vítor Gaspar tem,  como é óbvio, aptidões em várias áreas do saber, embora nenhuma delas seja, ao  que parece, a economia ou as finanças. Trata-se de um homem evidentemente  versado em hipnotismo e encantamento de serpentes. Cinco minutos a ouvir Vítor  Gaspar e o contribuinte começa a sentir-se com sono, muito sono. É nessa altura  que percebe que a carteira começa a sair-lhe do bolso, ao som da voz  encantatória do ministro. Seduzida pelo magnetismo animal de Gaspar, a carteira  abandona o nosso bolso e dança até ao Ministério das Finanças, onde deposita os  subsídios de férias e de Natal. Depois, regressa à nossa algibeira, para  reabastecer. Gaspar, o encantador de carteiras, já demonstrou ter capacidade  para fazer este truque todos os anos. Mas o povo, sempre pérfido, prepara-lhe  uma partida cruel: a tendência maldosa do trabalhador português para o  desemprego e o trabalho precário levará a que, em breve, não sobre quase ninguém  a beneficiar de 13º mês. Lá terá o governo de nos levar o décimo segundo

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/ricardo-araujo-pereira=s23462#ixzz1d13ZX19T

 

 

 

 

Crónicas de R.A.P.

Fiquem com mais uma crónica brilhante do Ricardo araújo Pereira!

Nocas

"Ponto de Situação"

Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na  despesa. Só não disse que era na nossa. A nossa despesa com alimentação,  habitação e transportes está cada vez menor       

Os portugueses vivem hoje num país nórdico: pagam impostos como no Norte da  Europa; têm um nível de vida como no Norte de África. Como são um povo ao qual é  difícil agradar, ainda se queixam. Sem razão, evidentemente.

A campanha eleitoral foi dominada por uma metáfora, digamos, dietética: o  Estado era obeso e precisava de emagrecer. Chegava a ser difícil distinguir o  tempo de antena do PSD de um anúncio da Herbalife. "Perca peso orçamental agora!  Pergunte-me como!" O problema é que, ao que parece, um Estado gordo é caro, mas  um Estado magro é caríssimo. Aqueles que acusavam o PSD de querer matar o Estado  à fome enganaram-se. O PSD quer engordá-lo antes de o matar, como se faz com o  porco. Ninguém compra um bácoro escanzelado, e quem se prepara para comprar o  Estado também gosta mais de febra do que de osso.

Embora o nutricionismo financeiro seja difícil de compreender, parece-me que  deixámos de ter um Estado obeso e passámos a ter um Estado bulímico.  Pessoalmente, preferia o gordo. Comia bastante mas era bonacheirão e deixava-me  o décimo terceiro mês (o atual décimo segundo mês e meio, ou os décimos  terceiros quinze dias) em paz.

Enfim, será o preço a pagar por viver num país com 10 milhões de milionários.  Talvez o leitor ainda não tenha reparado, mas este é um país de gente rica: cada  português tem um banco e uma ilha. É certo que é o mesmo banco e a mesma ilha,  mas são nossos. Todos os contribuintes são proprietários do BPN e da Madeira.  Tal como sucede com todos os banqueiros proprietários de ilhas, fizemos uma  escolha: estes são luxos caros e difíceis de sustentar. Todos os meses,  trabalhamos para sustentar o banco e a ilha, e depois gastamos o dinheiro que  sobra em coisas supérfluas, como a comida, a renda e a eletricidade.

Felizmente, o governo ajuda-nos a gerir o salário com inteligência. Pedro  Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa. Só não disse que era  na nossa, mas era previsível. A nossa despesa com alimentação, habitação e  transportes está cada vez menor. Afinal, o orçamento gordo era o nosso. Agora  está muito mais magro, elegante e saudável. Mais sobra para o banco e para a  ilha.

 

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/ricardo-araujo-pereira=s23462#ixzz1YOPCYbIw

 

 

Crónica de Ricardo A. Pereira na Visão

Sou fã das crónicas do R.A.P. na revista Visão! A desta semana está especialmente engraçada, portanto, não resisti a colocá-la aqui no nosso "pasquim". Espero que gostem tanto quanto eu e que por um bocadinho esqueçam a eminência da banca rota na Grécia.

Nocas

Ceci n'est pas un riche

 

O recente debate sobre política fiscal é tão interessante quanto intrincado.  Pergunta-se: quem tem mais deve contribuir mais? Eis um daqueles dilemas de  solução impossível. Tirando o sentido de justiça e o mais elementar bom senso,  não há nada que nos ajude a tomar uma posição definitiva. Devem os ricos pagar  mais impostos do que os outros? É uma questão complexa. Arrebanhar metade do  13.º mês acima do salário mínimo é incontroverso, mas quando se trata de taxar  grandes fortunas os analistas tornam-se filosóficos: mas o que é um rico?,  perguntam. Parece tratar-se de um conceito vago e populista, comentam, com  admirável prudência intelectual. Fazia falta um destes analistas no versículo 24  do capítulo 19 do Evangelho segundo São Mateus. Quando Jesus dissesse que é mais  fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino  de Deus, o analista havia de contrapor: "Mas, Senhor, o que raio é um rico?  Abstende-vos de usar conceitos vagos e populistas." No entanto, Jesus Cristo,  talvez por ser filho de quem é, pode dizer o que lhe apetece sem ser acusado de  demagogia. Uma sorte que Jerónimo de Sousa não tem. 

Na verdade, os analistas têm razão. A riqueza é um conceito vago. Tão vago  que o homem mais rico de Portugal conseguiu dizer esta semana que não era rico.  Ora, se o homem mais rico de Portugal não é rico, isso significa que em Portugal  não há ricos, o que inviabiliza a criação de um imposto especial para eles. É  impossível taxar quem não existe, como a direção-geral de impostos bem sabe - até porque já tentou.

Toda a gente conhece aquele poema do António Gedeão sobre Filipe II: o rei  era riquíssimo (passe a imprecisão e o populismo) e tinha tudo. Ouro, prata,  pedras preciosas. O que ele não tinha, diz o último verso, era um fecho éclair.  Américo Amorim tem tudo, incluindo um fecho éclair. Talvez não tenha vergonha,  mas também vem a calhar: nem criando um imposto sobre a vergonha o apanham.

Américo Amorim constitui, por isso, um mistério tanto para a fiscalidade como  para a teologia. Sendo o homem mais rico de Portugal, talvez não entre no reino  de Deus. No entanto, na qualidade de pobre de espírito, tem entrada  garantida.

 

Ricardo A. Pereira

 

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/ceci-nest-pas-un-riche=f621069#ixzz1XpRfReCh