Esta é a Nocas
Vi num blog, que costumo frequentar, esta ideia\desafio. A autora descrevia-se a si própria e pedia aos leitores para fazer o mesmo. Achei uma ideia interessante e resolvi "copiar":
Alentejana de nascença e de todas as costelas, tem nas veias o ancestral sangue de camponeses sem terra, de operários, de resistentes, sangue esse que num qualquer passado longínquo se misturou com o sangue de latifundiários agrícolas. Dos primeiros herdou o espírito aguerrido, o gosto pelo trabalho braçal e sobretudo a vontade de mudar o mundo. Dos segundos herdou pouco mais que parentescos distantes, um par de histórias engraçadas e uma velha folha de papel com a árvore genealógica.
Filhinha do papá, menina da mamã e só não é dos avós porque a vida os levou cedo de mais. Brincou na terra, correu pelos montes, brincou com bonecas e andou à porrada com meninos, há muitos anos, quando a vida demorava a passar e os Verões eram intermináveis.
Espírito livre e curioso foi para longe estudar o Passado, que tanto a fascina, mas voltou para os braços quentes do seu Alentejo de sempre, viu-o por dentro, remexeu-lhe as entranhas, conheceu-o a fundo e amou-o, cada vez mais.
Teimosa de coração duro, diz quem a conhece que pensa como um homem, poucos sabem que por dentro continua a sonhar como a menina que nunca deixou de ser.
Amante intempestiva ou, por vezes, pedra de gelo. Benfiquista desde sempre, de Esquerda desde pequenina. Mulher de poucas palavras, frequentes acessos de ternura ou de raiva. Ama os animais, o mar e ouvir música alto. Não sabe cantar nem dançar mas tem jeito para desenhar e pintar.
Aparência calma e pacifica que esconde uma alma profundamente rebelde e permanentemente insatisfeita. Sabe perfeitamente quem é e de onde veio mas não sabe para onde vai, nem tão pouco para onde quer ir.
Nocas
